A reforma tributária aprovada em 2023 entra em fase operacional cada vez mais concreta. Em 2026, empresas de médio porte já precisam se preparar para regras de transição que afetam apuração, emissão de documentos fiscais e precificação de produtos e serviços. Não se trata mais de debate legislativo no Congresso — é mudança no cotidiano de contadores, gestores financeiros e empresários em todo o país.
O modelo prevê a substituição gradual de cinco tributos sobre consumo por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência compartilhada entre estados e municípios. PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS serão extintos ao longo do período de transição, que se estende até 2033.
O que já vale em 2026
Desde janeiro, empresas do regime normal já recolhem um percentual simbólico de CBS e IBS sobre faturamento, convivendo com os tributos antigos. O objetivo é testar sistemas de arrecadação e permitir que o fisco e o contribuinte ajustem processos. Para o empresário, isso significa dupla atenção: manter conformidade no regime atual e acompanhar obrigações acessórias do novo modelo.
Empresas do Simples Nacional com faturamento acima de determinados limites receberam orientações específicas sobre como a transição afeta suas alíquotas efetivas. Consultorias tributárias relatam aumento de demanda por simulações de carga fiscal para 2027 e 2028, quando a participação dos novos tributos na arrecadação cresce de forma acelerada.
Impactos por setor
Serviços tendem a sentir redução de cumulatividade, enquanto indústrias intensivas em insumos importados monitoram regras de crédito. O varejo de alimentos acompanha de perto a cesta básica e possíveis alíquotas reduzidas. Agronegócio negocia tratamentos diferenciados para exportação e insumos, tema sensível em estados do Centro-Oeste e do Sul.
A reforma não é um evento de um dia. É um processo de uma década — e quem se preparar cedo evita surpresas na margem e no fluxo de caixa.
Para startups e empresas de tecnologia, a padronização nacional tende a simplificar operações em múltiplos estados — hoje um dos maiores custos administrativos de quem vende online para todo o país. Ainda assim, a complexidade temporária da convivência entre sistemas exige investimento em ERP, treinamento de equipes e assessoria especializada.
O que fazer agora
Especialistas ouvidos pelo Prisma recomendam três passos imediatos. Primeiro, mapear a carga tributária atual por produto ou linha de serviço. Segundo, rodar simulações com premissas conservadoras de alíquota. Terceiro, revisar contratos com fornecedores e clientes para cláusulas de repasse ou revisão de preço em momentos de mudança regulatória.
O Ministério da Fazenda publica periodicamente perguntas frequentes e minutas de regulamento. Acompanhar essas atualizações é mais seguro do que depender de interpretações informais em redes sociais. O Prisma seguirá cobrindo os marcos da implementação com foco no impacto para pequenas e médias empresas — o público que mais sente a diferença entre teoria legislativa e prática no balanço.